terça-feira, 29 de abril de 2008

SEPULTURA, Arise

SEPULTURA, ARISE (1991)



Durante muitos anos eu fui metaleiro, de usar só roupa preta e ouvir bandas de guitarras velozes e vocais guturais. Tinha nove anos a primeira vez que ouvi Sepultura e, óbvio, não entendi nada. Mas me marcou de alguma forma muito forte. Anos mais tarde, voltei a escutar e nunca mais parei. Minha memória não registra banda brasileira que tenha sido tão inventiva e competente quanto o Sepultura em sua fase áurea (do Beneath The Remains (1989) ao Roots (1996)). Enfim, minha memória não registra banda brasileira que eu goste mais do que o ex-grupo dos irmãos Cavalera - já vi seis shows. Acho que o único grupo que chega remotamente perto do Sepultura são os Mutantes.

O Arise é meu disco de cabeceira deles, porque as faixas mostram a banda saindo da pura tosqueira adolescente e sabendo a direção que ia seguir nos discos seguintes: alguma batucada e menos desespero/velocidade no instrumental. Esse trabalho foi tipo a primeira experiência do que viria a ser o incrível Roots. Não bastasse, Megadeth, Slayer e Anthrax, a nata do trash metal, começaram a pagar pau pros mineiros a partir desse trabalho, que foi também um dos responsáveis pelo estouro da banda no cenário internacional - e por fazer veículos gringos de música prestarem atenção no metal brasileiro.

Arise é um disco fundamental na sonoridade e no que representou pra época: o começo da verdadeira internacionalização de grupos brasileiros de rock. Como eu disse, só chega perto de Mutantes. Pra bater cabelo com classe.

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Estilo: trash metal / speed metal

segunda-feira, 28 de abril de 2008

SPARKLEHORSE, It's a Wonderful Life

SPARKLEHORSE, IT'S A WONDERFUL LIFE (2001)



Sei que meus textos são hiperbólicos (adoro) e superlativos (gosto mais ainda), mas, cá pra nós, não vou postar nenhum disco meia-boca, né? It´s a Wonderful Life é o terceiro álbum do Sparklehorse, que é basicamente o projeto de um só cara, o Mark Linkous. Esse trabalho ele fez depois de se recuperar de uma overdose absurda que sofreu num quarto de hotel - em parte refletida no disco anterior, Good Morning Spider (1999) -, daí a celebração à vida no título.

Se eu contar que Linkous grava sua música low-fi chic, fina mesmo, de forma analógica, na casa dele, com instrumentos antigos, já basta pra você querer ouvir. E se eu disser que PJ Harvey, Tom Waits e Nina Persson emprestam suas vozes incríveis para algumas faixas desse disco de tom surreal e delicado, bem, você sacou que é obrigatório. E as letras? Não dizem nada que tenha lógica aparente, são como relatos de sonho que só fazem sentido pra quem os sonhou - mas formam belas imagens pra gente viajar enquanto escuta.

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Estilo: noise pop / low-fi chic

sábado, 26 de abril de 2008

MARK LANEGAN, Bubblegum

MARK LANEGAN, BUBBLEGUM (2004)



Todo mundo aqui pegou a época do grunge, certo? Então vocês lembram daquelas bandas que não estavam nos holofotes da mídia, mas que deram origem ao movimento das camisas de flanela, como Tad, Mother Love Bone, Green River. O Screaming Trees é dessa leva, Mark Lanegan era vocal do grupo, e depois se jogou pra carreira solo, com discos recheados de melancolia, voz rouca, uísque e baforadas de cigarro. Bubblegum traz 15 canções peculiares, todas de espírito lo-fi chique, sabe como? O teclado da primeira faixa te joga direto para a incrível participação de PJ Harvey (“Hit The City”), quando Lanegan coloca sua rouquidão de pulmão esfumaçado a duelar com os dotes vocais desesperados da überdeusa. E “Driving Death Valley Blues” é pura influência stoner que Lanegan trouxe de seus bicos como convidado do Queens Of The Stone Age. Verso que resume o disco: I don’t wanna live this heaven so soon.

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Estilo: rock / whisky rock

PJ HARVEY, Rid of Me

PJ HARVEY, RID OF ME (1993)



Nem vou falar nada desse disco, porque acredito que todo mundo que acessa o blog já tem o Rid of Me. Se por algum acaso do destino você não tem, se joga. Só toma cuidado pra não se machucar, porque cada faixa é um estilhaço.

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Estilo: rock / beastie rock

sexta-feira, 25 de abril de 2008

PJ HARVEY, Dry

PJ HARVEY, DRY (1992)



Nem vou falar nada desse disco, porque acredito que todo mundo que acessa o blog já tem o Dry. Se por algum acaso do destino você não tem, se joga. Só toma cuidado pra não se machucar, porque é um trabalho muito forte.

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Estilo: rock / indie rock

terça-feira, 22 de abril de 2008

ARAB STRAP, Philophobia

ARAB STRAP, "PHILOPHOBIA" (1998)



Há alguns meses me pergunto qual a melhor faixa que eu jamais ouvi. Adoro hipérboles, e pode parecer até meio bobo eleger uma música como a melhor da vida. Mas a resposta que me dou é, sem dúvida, "New Birds", quarta canção do segundo disco do Arab Strap. Já tentei eleger outras faixas, fingir que não é essa, porque o Arab Strap não entraria na minha lista de bandas memoráveis. Mas "New Birds" é, sim, a música que eu escolheria em detrimento de todas as outras, se eu tivesse que ouvi-la pro resto da minha vida e jamais tocar em qualquer outro disco.

Não faz sentido escutá-la sem acompanhar a letra. Boa viagem.

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Estilo: sadcore / slowcore

segunda-feira, 21 de abril de 2008

ARAB STRAP, The Red Thread

ARAB STRAP, THE RED THREAD (2001)



Arab Strap é emoção, sentimento travestido de música. Como pode esta dupla – Malcon Middleton e Aidan Moffat - inglesa fazer uma arte tão pungente?

The Red Thread, seu quarto trabalho de estúdio, é singelo e, sobretudo, triste, levemente poético até. Como se ouve na faixa de abertura, "Amor Veneris", onde um dedilhado de violão e um piano emolduram os versos You cried in the kitchen, we made up in the hall / I watched you get dressed, those boots make you too tall.

"Scenery" é programação eletrônica simples sob a voz de Moffat (Middleton toca guitarra), calma, por vezes rouca, que se torna sussurrante em "The Long Sea". O instrumental é pouco trabalhado, mas marcante, com momentos etéreos. A sétima punhalada no coração, "Love Detective", é um pequeno conto de amor traçando a curiosa relação de um casal. Ao invés de ser cantada, é falada, digo, sentida, como se um segredo fosse confessado ao ouvinte. E essa faixa também entrega os temas principais do disco: relacionamento, amor e sexo, sempre abordados de forma delicada.

Come here so I can help you tie your brand new tie / Brush your coat and remember, no-one laughs if you cry" são versos sutis de "The Devil-Tips" que comprovam o aviso presente na capa do cd: this is no record for the weak willed or the faint of heart.

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Estilo: sadcore / slowcore